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sintoniaradiofonica.blogspot.com.br
26/07/2015

6. Os programas de auditório revelaram muitos nomes

Os programas de auditório revelaram muitos nomes e trouxeram a Sergipe, nomes consagrados nacionalmente, tais como: Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Marlene, Emilinha Borba, Orlando Silva, Augusto Calheiros, Luís Gonzaga, Vicente Celestino, Altemar Dutra, Jackson do Pandeiro, Ary Lobo, Silvio Caldas, Trio Nordestino, etc. Cantores locais já com nome firmado no público: Edildécio Andrade, Gravatinha(Agildo Alves) Dão, Lucinha Fontes,Dalva Cavalcante, Denilza Miranda, Zilda Porto, Antônio Teles, Vilermando Orico, Trio Atalaia, Deca e seu Violão, Evaristo de Freitas, Seu Oscar, O regional de Carnera, Reginaldo e seu Conjunto, Amantes da Seresta,Pai Veio e Mané Fubá, Goiabinha, a orquestra de Eronildes Morais, Floriano Valente, Maria Olívia e seu piano, Tuti Fred, Pipiri e seu humorismo, Medeiros e seus Big Boys, Djalma e tantos outros, além dos calouros que sonhavam um dia com o profissionalismo . Era assim o rádio sergipano até o final da década de 70 e início dos anos 80. Os auditórios existentes, principalmente o da rádio Difusora, não comportavam mais o número de pessoas que ia prestigiar os programas.

 

Quando havia uma atração nacional, o programa era apresentado fora da rádio, geralmente no cinema Vitória (hoje Lojas Americanas), ou no cine Rex (hoje Banco do Nordeste). Mesmo ocupando esses dois espaços grandes, muitos não tinham condições de assistir a apresentação do seu ídolo; os lugares eram ocupados rapidinhos pelos que madrugavam na fila. A audiência do rádio era tão expressiva que muitas pessoas passaram a assistir até os programas musicais no auditório. As novelas da rádio Nacional, exibidas pela manhã na Difusora, lotavam o auditório. Eram pessoas que vinham ao mercado e ao comércio e para não perderem o capítulo do dia de sua novela, se dirigiam a rádio para acompanhá-lo. O que a rádio promovia, o povo prestigiava. Promoções, bailes juninos, carnavalescos ou de entrada de ano. Casa sempre cheia. A correspondência volumosa, pois os telefones eram poucos na cidade, cerca de 1.500 e mesmo assim, a maioria nas repartições e empresas. Nas residências, só da minoria privilegiada. A comunicação do ouvinte era pessoalmente ou através da carta, do correio. A primeira estação de rádio de Sergipe surgiu, portanto em 30 de junho de 1939. Reinou soberana, sem concorrência durante 14 anos, até que em 1953, surge a Liberdade, de propriedade do Industrial e Senador da república pela UDN, União Democrática Nacional, Albino Silva da Fonseca. No ano de 1957 é inaugurada a Jornal, Cultura, em 1959 e dez anos depois a Atalaia.

 

Um fato curioso e que nos chama atenção. O rádio em Sergipe nasceu da necessidade de se fazer política partidária. Fora a cultura, todas elas, trazem no seu nascimento, a presença marcante da política, senão vejamos: A Aperipê surge em 39, da necessidade que o interventor tinha de divulgar para a sociedade o que ele estava fazendo no governo. Nasceu estatal. Com a redemocratização do país, dois grandes partidos entram na cena política nacional e estadual, o PSD – Partido Social Democrático e a UDN – União Democrática Nacional. Ambos se alternavam no poder. Quem vencia a eleição no Estado, tinha a sua disposição uma rádio para comunicar-se com os eleitores e, quem estava de baixo, ficava em desvantagem. A UDN, através do Senador Albino Silva da Fonseca ganha à concessão da Rádio Liberdade, ZYM20, que faria concorrência a Aperipê, PRJ6. Com o PSD no poder, as coisas estavam equilibradas. A Aperipê divulgava o governo enquanto que a UDN tinha a sua rádio, que era oposição. Mas quando coincidiu da UDN vencer a eleição para o governo, esse partido passou a ter o monopólio das comunicações no Estado.

 

Passou a controlar duas rádios, a do governo e a do partido. O PSD tratou logo de providenciar a sua emissora para não ficar em desvantagem política. Ganha a concessão da rádio Jornal, ZYM21. Agora as coisas estavam no equilíbrio. Quem perdesse eleição tinha sua emissora para atacar o governo estabelecido. No meio da briga política, a igreja católica sentiu a necessidade de divulgar melhor a sua doutrina, ter o seu próprio veículo de comunicação de massa, pois até então, possuía apenas um jornal semanal – a Cruzada. O Bispo Diocesano, Dom José Vicente Távora e o recém-ordenado padre Luciano José Cabral Duarte idealizaram a rádio para propagar a fé católica. A Cultura, ZYM22 em ondas médias e ZYC37 nas ondas curtas, inaugurada no dia 21 de novembro de 1959, pelo Ministro José Sette Câmara, representando no ato o Presidente Juscelino. Na década de 60, a família Franco, ligada ao Chefe político Leandro Maciel, inaugura a sua rádio... Atalaia. As questões políticas foram tratadas no rádio sempre de maneira muito agressivas. Nos comícios transmitidos ao vivo dos bairros de Aracaju, os ataques ao adversário, eram fulminantes. Oradores inflamados, acobertados pela impunidade, criticavam sem piedade seus adversários sob o aplauso da multidão agitada. Quanto mais o orador era vibrante nos ataques, mais a multidão gritava: meta o pau... meta o pau. Eram o auge das campanhas em direção as eleições. Muito difícil um parlamentar de um determinado partido sair e vestir a camisa de outro. Quem era Udenista não vestia nem em sonho, a camisa do Pessedista. Existia a fidelidade partidária e o partido possuía a sua ideologia, seu programa que era seguido à risca. Os programas de entrevistas eram apimentados, empregavam termos duros e críticas que na maioria das vezes feriam o adversário e seus familiares. A Rádio Liberdade era o Porta Voz da UDN. Silva Lima, um dos mais contundentes críticos político da época, através do Informativo Cinzano, irradiado diariamente às 12h25 horas, líder de audiência, não poupava críticas aos integrantes do PSD.

 

Por sua vez, a rádio Jornal, no Vespertino do Ar, transmitido diariamente às 12h45, apresentado por Cádmo Nascimento, respondia a altura às críticas desferidas contra o PSD. Um outro programa crítico e político da Jornal: Risolândia - , baixava o verbo contra todos e tudo que a UDN fazia e realizava. Era apresentado às noites das sextas-feiras, a partir das 21h. O programa incomodava tanto ao adversário, que seus apresentadores, Raimundo Almeida, Nelson Sousa e José Valdir foram ameaçados de morte. O primeiro e o último foram emboscados e torturados. Segundo os torturadores, isso apenas era um aviso para que eles parassem com as críticas através do rádio. O rádio sergipano sempre foi palco de grandes debates políticos. Diversos de seus integrantes se elegeram a cargos políticos. O próprio Silva Lima foi Vereador, como também o foi Cádmo Nascimento, José Batalha de Góes- Batalinha, Carlito Melo, Flodualdo Vieira, Rosalvo Silva, Narciso Machado, Santos Mendonça. Também tiveram mandato Reinaldo Moura, Laércio Miranda, Adelson Barreto, Gilmar Carvalho e tantos outros que postulam a vida parlamentar, tendo o rádio como o cabo eleitoral por excelência. Foi assim e deve continuar por muito tempo. A política lado a lado no dia-a-dia do rádio. Tudo que estiver ao alcance do adversário para prejudicar a emissora do outro, é feito. A Rádio Jornal, por exemplo, para ir ao ar foi uma novela. Tudo pronto para colocar a estação no ar em fase experimental. No dia em que a montagem dos aparelhos foi concluída, a Companhia de Força e Luz corta o suprimento de energia. É providenciada a vinda do interior do estado de um gerador de energia para colocar a rádio no ar. A fiscalização prende a carga quando esta passava pelo posto fiscal. Outro gerador foi providenciado. Passou pelo posto fiscal embaixo de uma carga de madeira. Só assim a rádio inicia os testes direto do transmissor, no bairro Industrial. No esporte, a política também influenciou. Quando o PSD estava no governo, a equipe esportiva da rádio Liberdade, pertencente a UDN, foi proibida de transmitir as partidas do campeonato sergipano, no Estádio Estadual. Silva Lima, diretor da rádio e chefe da equipe esportiva, acompanhava o campeonato, transmitindo do telhado das construções próximas ao campo, pelo lado da rua Vila Cristina.


Fonte/Autor: Jornalista Jairo Alves de Almeida

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