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28/09/2018

Soluções fáceis para problemas difíceis

Muitos erros e sofrimentos de nossos dias acontecem por querermos dar soluções fáceis para problemas ‘difíceis’, agravando ainda mais os problemas, ao invés de solucioná-los. Quanto mais difícil é um problema, tanto mais difícil será a sua solução, pois não há solução fácil quando o problema é difícil.

Há sempre duas maneiras de solucionar um problema: a primeira será ‘fácil’: improvisada, rápida, cômoda, egoísta e sem sacrifícios; a segunda será ‘difícil’: demorada, planejada, árdua e dispendiosa. A segunda será eficaz e duradoura; a primeira, inócua e falsa.

Fazendo-se uma análise dos graves problemas que o homem de hoje enfrenta, é fácil observar como ele tem optado pela primeira maneira. Por isso sofre.  É fácil, por exemplo, retirar o pobre da rua; contudo, é difícil retirar a miséria do pobre; promovê-lo, esta é a medida difícil e correta.

 

É fácil…

É fácil, por exemplo, diminuir o número de comensais em uma mesa; contudo, é difícil aumentar a quantidade de alimentos e reparti-los com amor; porém, esta é a solução certa e eficaz. 

É fácil limitar o número de nascimentos, é fácil esterelizar homens e mulheres em massa, é fácil distribuir pílulas e camisinhas; contudo, é difícil implantar uma eficaz e digna paternidade responsável.

É fácil praticar um aborto e eliminar uma vida, mas é difícil aceitar, respeitar, amar e educar um ser humano.

É fácil condenar um criminoso à pena de morte, é difícil reeducá-lo e salvá-lo.

É fácil matar um assassino, linchá-lo até a morte; é difícil matar o crime e salvar o criminoso.

É fácil fazer a guerra, é difícil manter a paz.

É fácil distribuir preservativos e seringas para se evitar a AIDS; é difícil ensinar as pessoas sobre o emprego moral do sexo e o valor da castidade.

É fácil propor o divórcio para um casal em crise; mas é difícil reconciliá-lo no perdão e no amor; mas esta é a verdadeira solução.

É fácil eliminar as crianças delinquentes das ruas, sob o pretexto de se coibir o crime; mas é difícil educar essas crianças e indicar-lhes o sentido da vida.

É fácil e rápido apressar a morte de um paciente terminal, com a eutanásia; mas é difícil respeitar a vida e seu Autor até o último instante.

É fácil fazer discursos políticos, mas é difícil eliminar o déficit público, o empreguismo, o nepotismo, a corrupção e o desperdício que atolam a nação.

É fácil liberar os baixos instintos e paixões; mas é difícil dominá-los para que eles não nos escravizem.

É fácil fazer justiça com as próprias mãos, mas é difícil o justo e ético e esperar que ela seja feita pela lei e pelo direito, sob pena de sepultarmos a civilização.

É fácil invadir terras e prédios, sob o pretexto de que há má distribuição de rendas, etc, mas o difícil e correto é promover a reforma agrária, necessária, dentro da lei e da ordem, para que não haja ainda mais violência, luta de classes e injustiça.

Enfim, é fácil dar uma solução cômoda, rápida, inócua para um problema; mas é difícil, árduo e demorado dar uma solução eficaz para o mal.

 

Soluções difíceis, mas eficazes 

A Igreja Católica, e o Papa, serão sempre muito criticados e incompreendidos porque as soluções que propõem para os graves problemas da humanidade, são difíceis, assim como o são os seus males. Mas são soluções eficazes.

Quando, por exemplo, Martinho Lutero, com suas amarguras e orgulho, precipitou a revolução protestante, e causou um furacão dentro da Igreja, esta foi sábia e soube realizar um Concílio, o de Trento, que durou 18 longos anos (1545-1563), para examinar cada ponto que fora questionado. Isto é prudência; isto é uma solução séria para um problema muito sério. Os frutos desse Concílio foram enormes, até hoje. Dele surgiu o Catecismo Romano, o primeiro da Igreja, que só agora, depois de 430 anos, é substituído pelo Catecismo da Igreja Católica, outorgado pelo Papa João Paulo II.

As soluções sérias são eficazes e duradouras; geradas no sofrimento, na oração, na paciência, nas lágrimas, no diálogo, na compreensão, etc.

Quando João XXIII quis renovar a Igreja, fazer o seu ‘aggiornamento’, não convocou apenas alguns poucos cardeais, para durante alguns poucos dias tratar do assunto. Não! Ele convocou todos os 2.600 Bispos do mundo todo, durante três anos seguidos (1962-1965), no Concílio Vaticano II, para, demorada e exaustivamente, sob a luz do Espírito de Cristo, com muita oração, estudo, trabalho, diálogo, analisar a questão. Por isso, hoje, após tantos anos, o Concílio Vaticano II continua a dar os seus frutos, e os dará ainda por muitos anos. Uma solução eficaz! A pressa é inimiga da perfeição, diz o ditado popular.

 

Estreita porém é a porta e apertado o caminho da vida

Precisamos aprender com a sabedoria chinesa que diz:  “Se queres colher por um ano, semeia o grão. Se queres colher por dez anos, planta uma árvore. Se queres colher por cem anos, educa o povo”. 

Não há solução fácil para problema difícil.  Toda vez que agirmos desta maneira, além de não resolvermos o problema, o agravaremos ainda mais. Esta é a pior tendência do homem moderno; querer resolver todos os problemas de maneira rápida, com solução imediatista, atropelando o tempo, a moral, os costumes, a fé, e o próprio Deus. Por fim se dá conta de que correu em vão.

Há um provérbio que ensina :  ‘Tudo que fazemos sem contar com o tempo, ele se incumbe de destruir’.

E o poeta já dizia: ‘gado, a gente tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente!

Acostumados a lidar com as ‘coisas’, a técnica e as máquinas, o homem de hoje se esquece que ele é dotado de uma alma imortal, com um fim transcendente em Deus.  O Papa João Paulo II nos ensinou que as soluções propostas por Cristo, para os graves problemas da humanidade, são difíceis, mas jamais decepcionam.

O Mestre continua a nos dizer:  ‘Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição… Estreita porém é a porta e apertado o caminho da vida’ (Mt7,13´14).

Embora o tema da Batalha Espiritual seja antigo e recorrente na espiritualidade católica, faz-se ausente ainda bons livros católicos que nos orientem a vivê-la de acordo com o Magistério, com a teologia dos santos e com a experiência missionária frente aos desafios dos nossos dias. Este livro vem contribuir para suprir essa lacuna de forma simples e bem fundamentada na doutrina, na Palavra e na vivência missionária.

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Fonte/Autor: Comshalom.org

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